segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DESDE A MONTANHA (1962)


Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.

«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.

Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.

Tomas Tranströmer - Prémio Nobel 2011

Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.
#DiaD Carlos Drummond de Andrade

Amorfo


"Amorfo, estupidificado e escravo cívico dos ladrões do poder, o homem dilui-se no não-ser e resta-lhe a lembrança de um sonho de si próprio que se apaga na impotência cívica e na solidão de todos os desencontros. Tecnicamente falando, a criatura aliena-se: perdendo-se de si, perde-se do mundo e transforma-se numa plasticina formatável pelos poderes sem compaixão. Eis ao que chegámos com a complacência diária de um povo incapaz de gritar liberdade no único instante em que é chamado a decidir: as eleições. As subvenções de políticos instalados nas empresas privadas e nas televisões simbolizam a iniquidade transversal e este orçamento a iniquidade governamental!"


Valter José Guerreiro

sábado, 29 de outubro de 2011

És Um HOMEM, Se...


Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,
Quando os outros os perdem, e te acusam disso,

Se és capaz de confiar em ti, quando te ti duvidam
E, no entanto, perdoares que duvidem,

Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança
E não caluniares os que te caluniam,

Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,
E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,

Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,
Sem fazer distinção entre estes dois impostores,

Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,
Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,

Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira
E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,

Se és capaz de arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado,
E perder e começar de novo o teu caminho,
Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,

Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos
E fazê-los servir se já quase não servem,
Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,
A não ser a vontade que diz: Enfrenta!

Se és capaz de falar ao povo e ficar digno
Ou de passear com reis conservando-te o mesmo,

Se não pode abalar-te amigo ou inimigo
E não sofrem decepção os que contam contigo,

Se podes preencher todo minuto que passa
Com sessenta segundos de tarefa acertada,

Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,
Será teu tudo que nela existe

E não receies que te o tomem,

Mas (ainda melhor que tudo isto)
Se assim fores, serás um HOMEM.

Rudyard Kipling

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Não dê conselhos, Dê exemplos!

T.S. Eliot


Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
                        Porque Teu é o Reino

Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
                       A vida é muito longa

Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
                        Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o

Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.

Universo


Os sábios admitem geralmente que o nosso universo foi criado por uma explosão, há três ou quatro bilhões de anos. Explosão de quê? Talvez o cosmos inteiro estivesse contido num átomo, ponto zero da criação. Esse átomo teria explodido e estaria desde então em constante expansão. Estariam contidas nele toda a matéria e todas as forças hoje empregadas no Universo. Mas, aceitando a hipótese, não se pode dizer, no entanto, que se trata do começo absoluto do Universo. Os teóricos da expansão do Universo a partir desse átomo omitem o problema da sua origem. No fim de contas, a esse respeito a ciência não faz declarações mais precisas do que o admirável poema índio: No intervalo entre a dissolução e a criação, Vishnu-Cesha repousava na sua própria substância, luminoso de energia dormente, entre os gérmenes das vidas futuras.

Microsoft in 2019 [HQ]

Productivity Future Vision (2011)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

MEU SOTAQUE


Se minha pátria é a língua
Como disse o português
O meu sotaque é, talvez,
Minha essência verdadeira;
A identidade campeira
Forjada pela campanha:
É Portugal e Espanha
No dialeto da fronteira.

Tem ecos de Aureliano
Mesclados com a voz de Hernandez,
O meu sotaque é o Rio Grande,
O Uruguai, a Argentina,
É Quaraí, Villa Ansina,
Alvear e Livramento,
É a prosa de Dom Sarmiento
E a verdade que ela ensina.

Este modo de falar
Que é fronteiriço por algo
Vem dos versos de Hidalgo,
Das proezas de Facundo,
Porque a Fronteira é meu mundo
E não há rumo mais lindo
Do que o de andar perseguindo
Os passos de Dom Segundo.

Marcelo D´ávila

Borboletas ...


O nosso ex-embalsamador de borboletas odiava o estabelecido, o classificado, o definido. A ciência isola os fenômenos e as coisas para os observar. O grande pensamento de Charles Fort é que nada é isolável. Toda a coisa isolada deixa de existir. Uma borboleta sulca um goivo: é uma borboleta mais o suco de goivo; é um goivo menos um apetite de borboleta. Toda a definição de uma coisa em si é um atentado contra a realidade. Entre as tribos consideradas selvagens, os pobres de espírito são rodeados de respeitosas atenções. Reconhecem geralmente a definição de uma coisa em termos próprios como um sinal de fraqueza de espírito. Todos os sábios iniciam os seus trabalhos por este gênero de definição, e entre as nossas tribos os sábios são rodeados de respeitosas atenções.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Você é uma vítima da corrupção

Sonhos

... nossos sonhos não se extinguem no fundo de nós próprios da mesma forma que as estrelas no céu quando nasce o dia. Continuam a brilhar atrás dos nossos sentimentos, dos nossos pensamentos, dos nossos atos. Há os fatos, e há um subsolo dos fatos ...

sábado, 22 de outubro de 2011

Como você age e como você pensa que age, quando está bêbado.

Vontade de viver!


Não importa se a estação do ano muda...
Se o século vira, se o milênio é outro.
Se a idade aumenta...
Conserva a vontade de viver,
Não se chega a parte alguma sem ela."
Fernando Pessoa

Felicidade é uma viagem, não um destino.


Por muito tempo, eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga. aí sim, a vida de verdade começaria.

Por fim, cheguei à conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade.
A felicidade é o caminho! Assim, aproveite todos os momentos que você tem.
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade; até que você volte para a faculdade; até que você perca 5 kg; até que você ganhe 5 kg; até que seus filhos tenham saído de casa; até que você se case; até que você se divorcie; até sexta à noite até segunda de manhã; até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova; até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos; até o próximo verão, outono, inverno; até que você esteja aposentado; até que a sua música toque; até que você tenha terminado seu drink; até que você esteja sóbrio de novo; até que você morra; e decida que não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo...
Lembre-se: felicidade é uma viagem, não um destino.
Henfil

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Impossível?


‎"Meu território é outro... faço parte da manada que corre para o impossível!"

Lya Luft

Pensamentos

Pensamentos, assim como cabelos, também acordam bagunçados. Caio F. Abreu

Política


Em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades.
Charles Tocqueville

No caminho?!


“Na primeira vez eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim e não dizemos nada. Na segunda noite já não se escondem e pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta e, porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada."


No Caminho, com Maiakóvski

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O que é o populismo



Populismo quer dizer demagogia infrene, exploração das emoções, primarismo ideológico, culto quase messiânico do líder, cumplicidade ativa com a comunicação social tablóide, espetaculização da política, atenção exclusiva ao curto prazo, desprezo pelas regras institucionais.

Populismo é substituir os cidadãos pelas massas, a política pela festa, as ideias pelo glamour. 

Populismo é fazer-se de vítima e piscar o olho aos ressabiados dos vários quadrantes. É escarnecer dos que têm noção de serviço público. É exibir a mania das grandezas, prometer “obra” e “animação”. É esconder o vazio com a paródia. É cultivar o clientelismo e a dependência. É preferir o truque, o tráfico de influências, a gestão dos interesses, a negociata.

O populista odeia o trabalho, o estudo, o rigor, o planejamento, o médio prazo, a transparência, a prestação de contas, o compromisso, o escrutínio, o debate de ideias. O populista adora a multidão e a rua tanto quanto aborrece os cidadãos e a cidade.

O populista não olha a meios para atacar os adversários e procura sistematicamente feri-los na sua honra e dignidade.

Há quem se renda ao populista porque confia que lhe traz vantagens no imediato, mesmo sabendo que o preço a pagar será enorme. Há quem se renda porque no fundo se revê nele, porque lhe inveja a desenvoltura e o sucesso. Há quem se renda porque desistiu de pensar e agir com responsabilidade.

Quem se rende ao populismo não ama a democracia.

http://blog.fundacaorespublica.pt/

Pedras no Caminho ...


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo...
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história...
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma...
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'!!!
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta...
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Fernando Pessoa

4001 post-its for Steve Jobs

terça-feira, 18 de outubro de 2011

LOIRA CORAJOSA

René Grousset dirige ao céu vazio este cântico quase desesperado, mas belo:


Aquilo a que nós chamamos a história, quero dizer, este desenrolar de impérios, de batalhas, de revoluções políticas, de datas, sangrentas a maior parte, será realmente a história? Confesso que não o creio, e que me acontece, ao ver os manuais escolares, riscar em pensamento uma grande parte. . .

A verdadeira história não é aquela do movimento das fronteiras. É a das civilizações. E a civilização é, por um lado, o progresso das técnicas e, por outro, o progresso da espiritualidade. Podemos perguntar a nós próprios se a história política não é, em grande parte, uma história parasita.

A verdadeira história é, sob o ponto de vista material, a das técnicas, disfarçada sob a história política que a oprime, que lhe usurpa o lugar e até mesmo o nome.

Mas, mais ainda, a verdadeira história é a do progresso do homem na espiritualidade. A função da humanidade é auxiliar o homem espiritual a libertar-se, a realizar-se, a auxiliar o homem, como dizem os hindus numa fórmula admirável, a ser aquilo que é. É certo que a história aparente, a história visível, a história da superfície não passa de um ossuário. Se a história fosse apenas isso, não havia mais nada a fazer senão fechar o livro e desejar a extinção no nirvana... Mas quero crer que o budismo mentiu e que a história não é isso.

Clausius e o Universo


O Universo foi construído um belo dia como um relógio. Parará quando a mola estiver frouxa. Nada a esperar, não há surpresas. Neste universo de destino previsível, a vida surgira por acaso e evoluíra simplesmente devido às regras das seleções naturais. No pináculo definitivo desta evolução: o homem. Um conjunto mecânico e químico, dotado de uma ilusão: a consciência. Sob o efeito dessa ilusão, o homem inventara o espaço e o tempo: imagens do espírito.

Loucos


A consciência humana é semelhante a um iceberg flutuando sobre o oceano. A maior parte está submersa. Por vezes, o iceberg oscila, pondo a descoberto uma enorme superfície desconhecida, e nós dizemos: eis um louco.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Uma das regras de Guerdjef, pensador russo, no início do século passado.

Não te restrinjas a convicções e Princípios já estabelecidos. Aceita mudanças, envolve, evolui, abre os portões de tua alma e cérebro para ouvir o novo. Se, após estudares o que te foi apresentado, estiveres de acordo, incorpora-o ao teu SER. Busca sempre o que existe à tua volta. Mudar de opinião é sinal de inteligência e não inconsistência de um bom caráter.

Las 10 Estrategias de Manipulación Mediática - Noam Chomsky

domingo, 16 de outubro de 2011

As Reviravoltas


As reviravoltas das abelhas, tão rápidas e incoerentes, parecem desenhar no espaço figuras matemáticas precisas e constituem uma linguagem. Idealizo escrever um romance no qual todos os encontros que um homem tem durante a sua existência, fugazes ou importantes, conduzidos por aquilo a que chamamos o acaso, ou pela necessidade, desenhassem igualmente figuras, exprimissem ritmos e fossem o que talvez sejam: um discurso sabiamente  planejado, dedicado a uma alma para que se realize totalmente, e de que esta não aprende, ao longo da vida, mais do que algumas palavras sem continuidade.

Por vezes julgo abranger o sentido deste bailado humano à minha volta, adivinhar que alguém me fala através do movimento dos seres que se aproximam, se detêm ou se afastam. Depois perco o fio à meada, como toda a gente, até à próxima grande e no entanto fragmentária evidência.

Do livro "O Despertar dos Mágicos ..."

Os Justos


Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire. 
O que agradece que na terra haja música. 
O que descobre com prazer uma etimologia. 
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez. 
O ceramista que premedita uma cor e uma forma. 
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade. 
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto. 
O que acarinha um animal adormecido. 
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram. 
O que agradece que na terra haja Stevenson. 
O que prefere que os outros tenham razão. 
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo. 

Jorge Luis Borges, in "A Cifra"

sábado, 15 de outubro de 2011

Meu Brasil Brasileiro:


"O governo não é uma razão, também não é eloquência, é força. Opera como o fogo; é um servente perigoso e um amo temível; em nenhum momento se deve permitir que mãos irresponsáveis o controlem."
George Washington

A mutação da espécie humana começou ...



"Terra fumegante de fábricas. Terra trepidante de negócios. Terra vibrante de cem novas radiações. Este grande organismo, no fim de contas, apenas vive por e para uma nova alma. Sol, a mudança de idade, uma modificação do Pensamento. Ora, onde procurar, onde colocar essa alteração renovadora e sutil que, sem modificar apreciavelmente os nossos corpos, fez de nós seres novos? Em parte alguma senão numa nova intuição, que modifica na sua totalidade a fisionomia do Universo em que nos movíamos - por outras palavras, num despertar."
Desta forma, para Teilhard de Chardin, a mutação da espécie humana começou ...

Doorstep

Para os pensadores pensarem ...


Não haverá um lugar a descobrir, em mim mesmo, onde tudo o que me acontece seria imediatamente explicável, um lugar onde tudo o que vejo, sei ou sinto, seria imediatamente decifrado, quer se tratasse do movimento dos astros, da disposição das pétalas de uma flor, dos movimentos da civilização de que faço parte, ou dos mais secretos movimentos do meu coração? Será que essa imensa e louca ambição de compreender, que eu passeio, como que a despeito de mim mesmo através de todas as aventuras da minha vida, não poderia ser, um dia, inteiramente e de uma só vez satisfeita? Será que não existe no homem, em mim mesmo, um caminho que conduza ao conhecimento de todas as leis do mundo? Será que não repousa no fundo de mim a chave do conhecimento total? 

André Breton julgava poder definitivamente responder esta pergunta!